tudo por uma nova vida

Um transplante é uma oportunidade de vida, graças ao gesto solidário de uma pessoa e o trabalho de muitos profissionais. Portugal é líder mundial em doação de órgãos e EFEsalud foi verificada a eficiência de todo o processo em um transplante de fígado, coordenado pela GNT

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Atenção!, a reportagem em vídeo pode incomodar pessoas muito sensíveis

A Organização Nacional de Transplantes (ONT) se encarrega de coordenar a dádiva, colheita, preservação, distribuição, troca e transplante de órgãos, tecidos e células. Esta coordenação se estrutura em três níveis: Nacional, Regional e Hospitalar.

Espanha é o país com a maior taxa de doação de órgãos do mundo, com cerca de 35 doadores por milhão de pessoas, e leva-o sendo desde há 21 anos. Em 2012, o Brasil registrou 1.643 doadores, o que permitiu 4.211 transplantes, dos quais: 2.551 foram renais, 1.084 hepáticos, 247 cardíacos, 238 pulmonares, 83 de pâncreas e 8 intestinais.

A ONT, cujo diretor é o doutor Rafael Matesanz, foi galardoada com o Prémio Príncipe de Astúrias de Cooperação Internacional 2010.

Todos nós podemos ser doadores, porque, sem a solidariedade de pessoas que doem seus órgãos desinteressadamente e sem o trabalho de diversos profissionais, não seria possível que os pacientes em lista de espera sobrevieran.

Uma equipe de EFEsalud tem estado pendente as 24 horas do dia de uma ligação de telefone do GNT para acompanhar a todos os profissionais em um processo completo de transplante.

Durante as semanas de espera, conseguimos sentir, salvando as distâncias, angústia de pessoas que precisam de um novo órgão para continuar vivendo.

Quando toca o celular

Uma pessoa morreu em um hospital e o coordenador de transplantes consulta à família qual era a vontade desta pessoa em relação à doação. Se a família não autoriza, não há doação.

O cartão de doador? A carteira de doador é algo simbólico, que diz: “a minha vontade é doar meus órgãos”, por isso apesar de que só tem valor testemunhal, e nenhum valor legal, é um gesto importante para que os nossos saibam qual é a nossa vontade o dia que fallezcamos.

Se a causa da morte não é natural, então você tem de dar uma parte ao judiciário, a autorização para a extração de órgãos da terá que assinar um juiz ou forense, uma vez que a família autorizou o transplante.

O coordenador de transplantes é uma figura-chave em todo o processo, e é responsável em todos os hospitais da rede pública, onde há possibilidade de que haja um doador, de recolher os dados clínicos e analíticos da pessoa que morreu. Depois, há a chamada para a Organização Nacional de Transplantes, que é onde estão centralizadas as listas de espera de todas as pessoas que necessitam de um órgão, salvo renal.

A GNT responde à chamada

Quando a Organização Nacional de Transplantes recebe a ligação do coordenador do hospital, onde morreu uma pessoa doador, se anotam todos os dados clínicos e analíticos para verificar quais os órgãos servem e quais não para transplantes, de acordo com as características dos pacientes que estão na lista de espera.

O passo seguinte é distribuir os órgãos que sim, que servem para o transplante, como? Em base a dois critérios:

  1. Critério clínico: Se há uma “Urgência 0”, quer dizer que uma pessoa precisa de um órgão com urgência, pois se não o recebe pode morrer em menos de 72 horas, então tem prioridade nacional. Não importa em que ponto da geografia espanhola se encontra o paciente.
  2. Critério geográfico: Se não há “Urgência 0”, então se atende ao critério geográfico: se o hospital tem um centro de transplante, então é para os receptores desse hospital. No caso de que não os tivesse, para aquela comunidade, se na mesma comunidade não há, então, para as comunidades vizinhas, e sim, para o resto de Portugal.

No caso excepcional de não haver receptores em Portugal para esse órgão, então, se comunica aos centros de nosso ambiente (França, Itália e Portugal) para ver se eles têm receptores e poder enviá-lo removido ou que venham eles a receber, depende do órgão.

A coordenação deste processo é muito importante, desde o centro da GNT falam todos os dias com todos os hospitais envolvidos. Uma coordenação que tem sido por muitos anos e todo mundo sabe como funciona, e graças a isso se pode fazer contra o tempo, pois todos os envolvidos no processo sabem como devem agir.

E também toca o celular no EFEsalud. A Organização Nacional de Transplantes nos permite acompanhá-los para fazer a reportagem.

De caminho para realizar o transplante

Neste caso, é uma equipe médica do Hospital Gregorio Marañón, sob o comando do doutor Henrique Velasco, o que se desloca para outro hospital, o mais rápido possível, para extrair o órgão vital para a pessoa do doador.

Em uma doação a pessoa que recebe o órgão não sabe quem lho deu; sempre se mantém no anonimato. Por esta razão, este relatório não sai em nenhum momento, nada que possa relacionar qual é o hospital, onde morreu um doador.

A partir desse hospital subimos uma ambulância com equipe médica do Gregorio Marañón, que foi deslocado até o centro de saúde do doador para realizar a operação de remoção do órgão, com uma geladeira azul onde está localizado o fígado e perfeitamente preparado em três embalagens especiais de plástico impermeáveis e com uma solução de preservação (que ajuda a manter as células em estado de hibernação).

Além disso, o fígado está rodeado de gelo para mantê-lo a uma temperatura de cerca de quatro graus.

A GNT se encarrega de organizar os deslocamentos: por terra ou ar. Os deslocamentos mais curtos entre a mesma comunidade se fazem na ambulância, mas se o receptor do órgão encontra-se a cerca de 200 quilômetros do hospital do doador, se utiliza uma frota de carros alugados de alta cilindrada para poder chegar o mais rápido possível. Se o deslocamento tem de ser por ar, são utilizados voos de companhias privadas. Excepcionalmente na circulação de órgãos das Ilhas Canárias para a península se realizam com voos regulares.

Os helicópteros apenas funcionam, apenas para deslocamentos internos entre comunidades e, quando for o mais efetivo este meio que o carro.

O tempo de deslocamento é muito importante, porque os órgãos têm um “tempo de isquemia”, que é o intervalo decorrido desde que se extrai do paciente doador, até o desclampaje arterial no receptor (passagem de sangue do receptor pelo órgão novo). “O ideal é que esse tempo de isquemia não exceda as dez, doze horas, no caso do fígado”, explica o doutor Henrique Velasco.

Este tempo é diferente para todos os órgãos, por exemplo, o rim é o que mais carrega (pode fazê-lo até 24 horas), o coração entre quatro e cinco horas, mais perto das cinco, e o pulmão e intestino, entre cinco e seis horas como tempo de isquemia.

Depois de percorrer o trajeto de ambulância, com sirenes e luzes esquivando-se cada carro que se interpõe no caminho, chegamos ao Hospital Gregorio Marañón, onde se encontra o paciente receptor esperando para receber o seu novo fígado.

Um transplante: uma nova oportunidade de vida

A cirurgia de banco

A equipe médica que realizou a operação de extração do órgão em que o paciente doador e com o que nós movemo-nos na ambulância, realiza agora a chamada “Cirurgia de banco”.

O dr. Velasco, junto aos médicos residentes (MIR), prepara o fígado para depois implantá-lo no receptor.

“Temos que deixá-lo o mais limpo possível: tirar a gordura, os restos de músculo que acompanham o órgão e, sobretudo, verificar que as estruturas vasculares estão inteiras e boa disposição, para que a cirurgia de implante seja mais simples”, explica o doutor.

Uma primeira parte que costuma durar entre uma hora e uma hora e meia e que, neste caso, tiveram que reconstruir um copo de entrada para o fígado (como a veia cava inferior, veia porta ou da artéria hepática) para deixá-lo em perfeitas condições.

Uma vez que o órgão está preparado fecham-se as três bolsas protetoras impermeáveis (que sempre é o fígado, já que não sai delas, até que o implantam no paciente receptor), e voltam a introduzir na geladeira azul com o líquido de conservação e à temperatura exigida e a equipe médica o leva para a sala de cirurgia onde se irá efectuar a operação.

A equipe do dr. Velasco termina aqui o seu importante papel neste processo e deixa passo ao seguinte equipe de profissionais, que vão extrair o órgão doente ao receptor e vão implantar o órgão saudável do doador.

A preparação do paciente

O paciente chega ao centro cirúrgico, acompanhado de todos os relatórios necessários e com todas as provas pertinentes realizadas. Já está pronto para receber o seu novo fígado.

José Manuel Pérez Román tem 47 anos e carrega-o em lista de espera para menos de doze meses. Sofre de cirrose hepática fulminante por álcool, e como o mesmo nos conta antes de lhe colocarem a anestesia, esse fígado é uma nova oportunidade que lhe dá a vida, já que sua expectativa vital antes do transplante era entre seis e doze meses.

A equipe de enfermagem está em operação preparando José Manuel para a operação. Os médicos anestesistas trabalham para controlar durante toda a intervenção: as principais funções corporais, como a respiração, o ritmo cardíaco, a temperatura do corpo, a pressão arterial ou os níveis de oxigênio no sangue.

Além disso, os anestesistas estarão durante todo o transplante, monitorando o paciente e entre em contato com os cirurgiões e enfermeiros para poder responder a qualquer problema que ocorresse durante a cirurgia.

Nas mãos do dr. Garcia Sabrido

O doutor José Luís Garcia Sabrido, chefe de Cirurgia do Gregorio Marañón, é uma eminência no mundo da medicina e, em particular, nos transplantes de fígado, já realizou quase mil transplantes em sua vida.

A hepatectomía: retirada do fígado doente

Com o doutor Garcia Sabrido, a cabeça, o equipamento médico vai realizar esta intervenção. A primeira parte é a chamada hepatectomía e consiste na retirada do órgão doente do paciente receptor. Esse processo geralmente leva entre uma hora e meia e duas horas.

Durante esta primeira parte tem que separar todas as conexões que existem entre o fígado nativo do paciente e o seu corpo: os tecidos, as grandes veias cava inferior e porta, artéria hepática ou os dutos por onde chega o suco biliar e o fígado.

Uma vez que o têm conseguido, o doutor Garcia Sabrido explica como tem decorrido esta fase, “neste caso foi um pouco mais difícil do que o habitual, já que o paciente teve trombose da veia porta e tinha muita hipertensão portal com muitas varizes, mas ainda assim temos conseguido desligar o fígado nativo do receptor de todas as conexões com sucesso”.

O implante do fígado novo

Enquanto o doutor Garcia Sabrido termina de preparar o campo cirúrgico do paciente para implantar o órgão, o doutor Bacharel leva a cabo a última preparação do fígado antes de trasplantarlo, desta vez, já conhecendo o estado da área onde será implantado.

Uma vez que foi extraído o fígado após de José Manuel, e se terminou de preparar por completo o órgão do doador, se introduz o enxerto no paciente e se começam a fazer as ligações entre os vasos, veias e artérias do enxerto, com os vasos, veias e artérias do paciente. Nesta segunda parte da operação pode durar duas horas. Todas as ligações que se haviam cortado, agora voltam a se refazer para que o novo fígado comece a funcionar.

Tudo o que resta é remover as pinças, os clãs, de forma que o enxerto se enche de sangue oxigenado para a temperatura normal do paciente.

Por último, são medidos os fluxos arteriais e, em seguida, o fluxo portal. Uma vez que se constata que os fluxos são normais, reconstrói-se a via biliar, coloca-se um dreno e fecha o paciente.

“Apesar de que a primeira parte da hepatectomía foi algo mais difícil do que o normal, a técnica tem ido bem e parece que o enxerto está dando bile e está funcionando“, conclui o doutor Garcia Sabrido.

Um final feliz

EFEsalud mostrou como a GNT dá uma nova oportunidade de vida para pessoas como José Manuel, uma das mais de 86.180 pessoas que foram transplanted em Portugal desde o ano de 1989. Tudo isso é possível graças à doação altruísta de uma pessoa e ao esforço de tantos profissionais que trabalham 24 horas por dia, 365 por ano para fazê-lo possível, neste caso, intervieram:

  • Pessoal médico do hospital onde faleceu o doador.
  • Os profissionais que formam a equipe exaustão do Hospital Gregorio Marañón, dirigido pelo doutor Henrique Velasco.
  • O computador implantor, dirigido pelo doutor Garcia Sabrido: 3 cirurgiões, 2 residentes, 2 anestesistas e um residente, 4 enfermeiros e auxiliar de enfermagem.

Além de todos os profissionais da Organização Nacional de Transplantes, uma equipe do SUMMA, uma hepatóloga do Hospital Gregorio Marañón e a equipe de coordenação de ambos os hospitais.

Em todo o processo intervieram cerca de 50 pessoas.

E tudo isso coordenado por la Organização Nacional de Transplantes que nunca dorme, mas sempre nos faz sonhar. Todos nós podemos ser doadores, porque também não sabemos se, em algum momento, também poderíamos necessitar de um órgão.

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