três bolsas para impulsionar a pesquisa

Amanhã serão entregues os prémios da V Edição Bolsas Gilead para a Investigação Biomédica, num acto presidido por Ana Pastor, presidente do Congresso dos Deputados e ex-ministra da Saúde, Maria, Rio, vice-presidente e ceo da empresa farmacêutica que tem promovido essa idéia. Analisamos três projetos premiados em edições anteriores, e o seu curso

EFE/Ernesto Arias

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Temos falado com os rotores de três desses projetos: o doutor Manuel Romero, do hospital Virgen del Rocío (Sevilha), área de Hepatite; e os doutores Daniel Podzamczer, diretor do programa de HIV/AIDS da Unidade HIV do Serviço de Doenças Infecciosas do Hospital de Bellvitge (Barcelona); e João Berenguer, da Unidade de Doenças Infecciosas/VIH do hospital Gregorio Marañón (Madrid). EFEsalud conversou com eles, representativos dos bons resultados do programa de bolsas de estudo Fellowship.

Doutor Manuel Romero

O que trouxe essa bolsa para a realização do seu projeto?

Tivemos uma ideia fruto da atenção à afetados e começamos a ver a possibilidade e a capacidade de curar a Hepatite C em pacientes muito complexos, mas não em todos esta cura gerava um lucro em forma de prolongamento da sobrevivência.

O que decidimos foi o de fazer uma análise e incluir uma coorte, a nível nacional, para analisar quais eram os fatores que definem se um tratamento ou cura vai gerar um benefício real para os pacientes. O projeto tinha como nome EPCOM (Análise de Comorbidades para a Hepatite C), que obteve o reconhecimento na passada edição.

Nós precisávamos financiar o projeto de pesquisa, contar com um monitor que possa incluir os dados e, em seguida, poder fazer todo o estudo. Se não fosse pela bolsa Fellowship, este projecto não o tivéssemos podido fazer.

Anteriormente, havíamos ganhado outra bolsa por um estudo epidemiológico da Hepatite C na área sul de Sevilha. Permitiu-Nos fazer os números para se ter uma idéia aproximada de como é a carga de doença no momento. Isso nos permite enfrentar com mais garantias de sucesso.

Como é desenvolvido o projeto e em que momento está depois de receber a bolsa de estudo?

O projecto, neste momento, está concluído e em vias de publicação em uma revista de impacto máximo de nossa especialidade.

Qual a importância têm os auxílios para a pesquisa?

Para investigar se precisa de duas coisas: a ideia, ver os pacientes na consulta e pensar de que forma podemos melhorá-lo, e em segundo lugar, há falta de recursos económicos para levá-lo a cabo.

Por isso que, neste tipo de concursos, como a das Bolsas Fellowship de Gilead, conseguem preencher esse vazio que há entre as convocatórias públicas competitivas, onde se tem que ter uma boa idéia, juntamente com a infra-estrutura necessária para desenvolvê-la e o currículo que endossa que essa investigação vai chegar a bom porto, e, por outro lado, estaria a possibilidade de financiar por vias completamente privadas, onde o financiamento se conseguiria através da negociação direta, neste caso, a empresa farmacêutica.

Esta forma de fazer as coisas é especialmente benéfica, porque mantém, por um lado, os critérios de excelência e, por outro, representam uma oportunidade para projetos que teriam muito difícil de ser competitivos em concursos públicos nacionais ou internacionais.

Como se pode evitar a fuga de talentos que se está produzindo no Brasil?

Estas solicitações são muito importantes, pois, do que estamos a desenvolver ou gerando talento até que este se consolida, nesse passo, desde a emergência até a consolidação, há muito o risco de fuga de talentos.

A investigação precisa de dinheiro, se houver investimento, haverá possibilidade de pagar salários e não haverá possibilidade de que as pessoas se dediquem à investigação. Se não há este tipo de ajudas ponte que são capazes de preencher uma lacuna e permitir que as pessoas possam transitar em sua carreira de pesquisadora com o menor número de barreiras possíveis, não podemos evitar a tremenda fuga de talentos, que teve lugar nos últimos anos em nosso país.

É claro que um país que quer crescer, não só tem que esperar, se não tem que atrair talentos. Essa a linha de trabalho que nós temos que olhar para os próximos anos.

Doutor Daniel Podzamczer

A investigação, tanto clínica como básica no Brasil nos últimos 20-25 anos no campo da infecção pelo HIV tem feito muitas contribuições tanto no conhecimento como no manejo da doença.

Isso foi feito apesar de que os fundos ou as contribuições de concursos competitivas, tanto a nível público como privado, foram mais escassas do que o que tinha querido quando comparada ao menos com outros países europeus.

É muito de agradecer esta iniciativa, que oferece Gilead com as Bolsas Fellowship porque nos permitiu nos últimos anos, a levar a cabo uma série de estudos e projetos científicos, que de outra forma não teriam podido realizar.

O que trouxe essa bolsa para a realização do seu projeto?

A possibilidade de realizá-los. Sem esta ajuda não teria sido possível

Como é desenvolvido o projeto e em que momento está depois de receber a bolsa de estudo?

São dois projetos, um sobre o risco cardiovascular e o outro sobre ETS. O primeiro está muito avançado e parte de seus resultados acabam de apresentar na conferência europeia de AIDS (EACS), o segundo está em marcha.

Qual a importância têm os auxílios para a pesquisa?

São fundamentais porque, infelizmente, há muitas mais ideias de projectos de financiamento, pública ou privada.

Como se pode evitar a fuga de talentos que se está produzindo no Brasil?

Aumentando os fundos para pesquisa, os postos de trabalhos estáveis para pesquisadores, não simplesmente bolsas temporárias.

Doutor João Berenguer

O que trouxe essa bolsa para a realização do seu projeto?

As duas bolsas que temos obtido em anteriores concursos foram fundamentais para a implementação de dois projetos de grande porte. O primeiro destina-se a conhecer em profundidade as mudanças epidemiológicos que estão ocorrendo na Espanha, em relação à hepatite C em pacientes infectados pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV). Com o segundo projeto pretendemos conhecer o impacto que tem na saúde das pessoas a longo prazo, a cura da hepatite C.

Como é desenvolvido o projeto e em que momento está depois de receber a bolsa de estudo?

O primeiro projeto nos permitiu criar uma rede de 43 unidades de saúde sentinela na maioria das comunidades autónomas de Espanha, onde estamos monitorando em tempo real as mudanças epidemiológicos acima mencionados.

O projeto já deu os seus primeiros frutos em forma de comunicações em congressos nacionais e internacionais e, no momento, duas publicações em revistas internacionais de elevado factor de impacto. O segundo projeto está em andamento e, por sua própria natureza prospectiva tomaremos alguns anos para obter resultados relevantes.

Qual a importância têm os auxílios para a pesquisa?

A pesquisa no campo da saúde, tem como objetivo a geração de conhecimento que permita avançar na compreensão das causas da doença, os métodos de prevenção, as técnicas de diagnóstico e também as novas abordagens do tratamento.

Esta geração de conhecimento implica o investimento de dinheiro. É importante notar que grande parte da investigação neste campo, é realizada de forma independente em centros de saúde e universidades, e não está necessariamente ligada aos legítimos interesses comerciais, como acontece com a investigação que levam a cabo as empresas farmacêuticas.

É fácil entender a importância das instituições competitivas de apoio à investigação por organismos públicos e privados para poder realizar este tipo de investigação.

Como se pode evitar a fuga de talentos que se está produzindo no Brasil?

É um tema complexo e difícil de despachar em poucas linhas. Eu sei que eu saio pela tangente, mas eu acho que o Brasil teve ao longo de sua história escasso protagonismo na ciência.

Santiago Ramón y Cajal em sua obra de finais do século XIX “Regras e conselhos sobre a investigação biológica” levou a cabo uma análise crítica sobre as causas deste problema são de plena atualidade. Convidados a ler o livro a todas as pessoas que tenham interesse pelo tema.

As bolsas Fellowship Program

  • Este ano celebra-se a quinta edição do Fellowship Program, cuja dotação financeira desta quinta edição será de 900.000€, o que somaria um total de 3,8 milhões de euros no total de suas cinco edições.
  • Nas quatro edições foram apresentados um total de 325 projetos de pesquisa, dos quais foram selecionados 67 projetos, pertencentes a 12 Comunidades autônomas distintas e 33 centros assistenciais (Catalunha 26, 17 Madrid, Andaluzia 6, Valência 3, La Rioja, 3, Cantabria 2, Navarra 2, Galiza, 2, Castilla La Mancha, 2, Castela e Leão 2, no País Basco, Lisboa), com uma dotação financeira de 2,9 milhões de euros.
  • Esta iniciativa representa um exemplo de parceria público-privada em matéria de investigação e a importância de conjugar esforços para avançar nos desafios de conhecimento, melhoria do diagnóstico e identificação de grupos de risco de HIV, hepatites virais e ação dos ane-oncologia.
  • Fellowship é uma das bolsas de estudo de uma instituição privada de maior montante de Espanha.
  • O programa ‘Gilead Fellowship Program’ surgiu em 2013 em Portugal, com um claro objetivo: fomentar a investigação em centros assistenciais de saúde de nosso país nas áreas de HIV e Hepatite. Em 2015, esta iniciativa foi ampliada, contando, no mesmo ano, com uma nova área de interesse: a ação dos ane-Oncologia.
  • Um dos principais objetivos deste programa é contribuir para o financiamento de projectos de investigação que se realizem em Estabelecimentos Assistenciais de Saúde Espanhóis, e que, além disso, provenientes de entidades sem fins lucrativos.
  • Para levar a cabo uma investigação e avaliação dos projetos o mais exaustiva, rigorosa e transparente possível, Gilead Sciences assinatura de um acordo com a Direção do Instituto de Saúde Carlos III (ISCIII) responsável pela avaliação dos projetos.

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