Tratamento do ebola à base de anticorpos e antibióticos

O tratamento que recebem os pacientes de ebola na África não inclui retrovirais, nem soros experimentais, nem plasma imune como os fornecidos aos interessados atendidos nos países desenvolvidos. Hidratação constante, nutrição adequada e antibióticos contra infecções tentam ajudar o doente a gerar anticorpos contra o vírus.

Pessoas que sobrevivem ao cérebro tornam-se imunes a esse tipo de vírus. Alguns se dedicam a ajudar a cuidar dos doentes, como no centro de Médicos Sem Fronteiras Monrrovia (Libéria). Foto: Médicos Sem Fronteiras

Artigos relacionados

Segunda-feira 20.10.2014

Segunda-feira 20.10.2014

Sexta-feira 17.10.2014

Médicos Sem Fronteiras (MSF) e a Cruz Vermelha estima-se que entre 40 e 50 por cento dos pacientes que atendem nos centros de Libéria, Serra Leoa ou Guiné Conacri, o epicentro da doença, conseguem bater um vírus com um ritmo de contágio rápido: se duplicam a cada três semanas.

Quando o vírus do Ebola entra no organismo humano responde com agressividade e rapidez. Seu objetivo é atacar as células do sistema imunológico e pode chegar ao fígado, rins ou pulmões provocando sangramento e falhas orgânicos letais.

A capacidade de cada doente para gerar anticorpos que, como um exército, que impeçam o avanço do vírus é o principal cavalo de batalha.

Infográfico multimídia de um centro de ebola de Médicos Sem Fronteiras em África

Este tratamento consiste em manter o paciente hidratado (já que perde muito líquido com a febre, vómitos e diarreia) com água e sais e, inclusive, com bebidas que costumam ser bem tolerada.

A dieta é rica em proteína (peixe, frango ou ovos, produtos caros em África, que não se consomem com a freqüência recomendada, e que ele é feito nos centros de saúde de acordo com as receitas locais. É proibida a entrada de alimentos do exterior para evitar a expansão do vírus.

Para pacientes com pior prognóstico, a dieta com suplementos nutricionais de frutos secos, uma injeção de proteínas e calorias que ajuda o corpo a aumentar as defesas.

Os antibióticos são o terceiro eixo do tratamento de suporte. Servem para evitar ou lutar contra outras bactérias que se aproveitam da fraqueza de um organismo inmunodepresivo, em especial os germes de pneumonia.

Se o vírus atinge os órgãos vitais

Se com as medidas de suporte para os anticorpos não foram capazes de frear o avanço do vírus e este atinge os órgãos vitais, a situação pode ser irreversível. “Se colapsa como um órgão vital, não temos capacidade de reação. O vírus é tão rápido que só nos resta acompanhar o doente com cuidados paliativos”.

Explica Luis Carvalhos, responsável pelas Operações para a África Ocidental/Sahel de Médicos Sem Fronteiras Portugal (MSF), um enfermeiro, com ampla experiência em ebola ao participar, desde há onze anos, em seis campanhas de sua organização contra esta doença. Agora dispõem de seis centros de atenção na Libéria, Serra Leoa e Guiné Conacri, os países afetados.

A enfermeira da Cruz Vermelha Lúcia Braga coincide com o especialista de MSF: “Fora do tratamento de suporte para ajudar o sistema imunológico a combater o vírus não podemos fazer mais. Se uma pessoa começa com uma insuficiência respiratória, por exemplo, não temos capacidade para colocar latas ou intubar”.

Nesses casos, pode controlar os sintomas com drogas com maior poder de ação, como a morfina, “para ajudá-los a morrer com dignidade e sem sofrimento”, considera a saúde.

Para se aproximar do paciente, com os trajes de proteção, os médicos escrevem nele os seus nomes para personalizar o mais possível o tratamento e, protegidos, tocam ao doente para transmitir a partir compreensão ao motivação. “Só se vêem os olhos”, diz Lúcia Braga.

Sobreviver ao ebola

Se os anticorpos conseguiram enfraquecer o vírus, impedindo que o ataque aos órgãos vitais começa a fase de recuperação. Quase a metade dos pacientes do centro de África em vão.

“Há pessoas que são capazes de reagir rápido, gerando anticorpos, mas não depende só da juventude ou que não tenham outras doenças. Tenho visto pacientes com HIV que foram salvos por si mesmos e jovens saudáveis que morreram em seis horas”, diz Luis Carvalhos.

E entre todas as vítimas há um grupo especialmente vulnerável: as mulheres grávidas. Elas apenas sobrevivem.

“Mas os sobreviventes também queremos dar a capacidade para que, ao final, para não morrer de outra doença, como a malária ou aids, aponta o representante de MSF.

Os que vencem o ebola na África são uns vencedores, mesmo que em suas cidades, em suas cidades, em seu ambiente, lhes sigam marginando por medo do contágio.

Mas alguns começam a encontrar seu caminho, a imunidade que lhes confere superar o vírus lhes permite cuidar de outros doentes. E eles já estão fazendo nos centros de saúde das ONG’s internacionais.

(Não Ratings Yet)
Loading…

Leave a Reply