Tratamento contra a acne base de substâncias naturais

Cientistas da Universidade de Granada são patenteado um novo tratamento contra a acne com base em substâncias totalmente naturais, que é muito mais eficaz do que outras formulações de artifício para não criar resistências bacterianas e a falta de efeitos secundários

Foto: Universidade de Aveiro

Quinta-feira 06.09.2018

Quinta-feira 06.09.2018

Terça-feira 14.08.2018

Esta formulação, desenvolvida no departamento de Microbiologia, aplica-se directamente sobre a pele de forma tópica, tem como ingrediente principal uma proteína cíclica de 70 aminoácidos denominada AS-48, produzida por bactérias do gênero Enterococcus”, que carece de atividade hemolítica ou tóxica demonstrada.

Mercedes Miranda, pesquisadora principal do projeto, explicou que a pele humana é a primeira barreira física que protege o corpo do exterior, mas também há que considerá-la como uma barreira biológica que abriga microrganismos benéficos, a “conclusão” da pele, constituída por populações de bactérias e várias espécies de fungos que impedem o desenvolvimento de patógenos.

A alteração do equilíbrio natural destes microorganismos leva a infecções, às vezes, de difícil tratamento, como a acne (acne vulgaris), uma infecção de pele muito comum, principalmente na puberdade, o que gera problemas estéticos, de saúde e de auto-estima, ou outras infecções da pele.

Segundo informou a instituição acadêmica, a bactéria chamada “bactéria (propionibacterium acnes)” é a responsável por esta infecção, quando se desenvolve de forma não controlada em áreas com abundantes secreções sebáceas.

Os tratamentos atuais nem sempre são eficazes para o desenvolvimento de resistências ou por apresentar efeitos colaterais não desejáveis.

Outras infecções de pele, em que biomarcador a antibióticos começa a ser um grande problema, são as produzidas por S. aureus” e “S. pyogenes”, que causam patologias muito graves e, nas formas limitadas, também são passíveis de tratamento com antibacterianos tópicos.

A nova formulação desenvolvida, que foi patenteada através do Escritório de Transferência de Resultados de Investigação (OTRI), conta com substâncias naturais que têm atividade antibacteriana, com o fim de serem utilizadas como ingredientes cosméticos e/ou farmacêuticos para o tratamento e prevenção destas infecções.

A proteína AS-48, em que se baseia a formulação patenteada, apresenta um amplo espectro de ação contra bactérias Gram-positivas, entre as quais se encontram importantes patógenos tais como diferentes espécies de estafilococos, estreptococos, clostridios, micobacterias e listerias, entre outros.

Tem um “grande potencial” de aplicação tanto na clínica humana como veterinária, além de bioconservante em alimentos.

O emprego tópico de AS-48, isoladamente ou de forma conjunta com agentes que aumentam a sua actividade, tem se mostrado muito eficaz in vitro para o controle de microrganismos responsáveis pelas infecções de pele referidas, de acordo com Maqueda.

A fórmula patenteada, que não perde a sua actividade durante o armazenamento em diferentes temperaturas ou por interação de moléculas ativas com compostos cosméticos, tem ainda uma grande vantagem: por ser a membrana celular bacteriana alvo de AS-48 é bastante improvável o desenvolvimento de resistências por parte dos agentes patogénicos.

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