Tratamento biológico eleva a taxa de sobrevivência global em câncer cervical avançado

Um estudo aleatório de fase III mostrou que o princípio ativo Bevacizumab combinado com a quimioterapia padrão aumenta a sobrevida global em mulheres com câncer cervical avançado.

EFE/Roche

Segunda-feira 10.09.2018

Segunda-feira 10.09.2018

Sexta-feira 07.09.2018

Após quase uma década sem avanços em câncer cervical, aumentar as opções terapêuticas para além da quimioterapia padrão tem sido um dos temas tratados hoje, em sessão plenária de 49 reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), que são encerramento na próxima terça-feira.

Neste ensaio clínico mostra que as pacientes com câncer de colo de útero avançado e recorrente, tratadas com Bevacizumab (Avastín) combinado com a quimioterapia, viveram uma média de 17 meses contra 13,3 meses daquelas que só receberam quimioterapia.

O grupo tratado com o fármaco antiangiogénico (que enfraquece o processo através do qual um tumor desenvolve o seu próprio fornecimento de sangue para continuar a crescer) reduziu em 29% o risco de morte em frente às pacientes que só receberam quimioterapia.

Trata-Se de uma pesquisa pioneira com 452 pacientes liderada pela rede de pesquisadores do Grupo norte-Americano de Ginecologia Oncológica (GOGUE) com o apoio do Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos (NCI).

O aumento da sobrevida global do câncer de colo do útero é, segundo esta especialista, o “grande objetivo” de uma doença que apenas foi incorporado novidades além da quimioterapia em quase uma década.

“Qualquer estudo no cancro cervical busca melhorar a sobrevivência global, porque não dispomos de linhas secundárias de tratamento. Falamos de mulheres jovens com uma sobrevivência que não costuma ultrapassar a cifra dos dez meses” em casos avançados.

Em termos de taxa de resposta, o estudo mostrou que Avastín mais quimioterapia diminuiu mais o tamanho do tumor que a quimioterapia solo (48 por cento em frente ao 36 por cento, respectivamente).

O presidente do GEICO e diretor do departamento de Onco-Ginecologia do Instituto Valenciano de Oncologia, André Poveda, participou em DESGOSTO com a apresentação do estudo que implica, de acordo com o médico, “um marco porque vai mudar a prática clínica e para as pacientes aumenta a sobrevivência em quatro meses”.

O câncer cervical no Brasil registra cerca de 3000 casos por ano e cerca de mil mortes por esta causa. Os testes de detecção precoce têm conseguido diminuir a incidência na doença avançada, embora nos últimos anos o número foi elevado para as mulheres imigrantes da América Latina e do leste da Europa, que em seus países não têm programas, nem uma cultura de detecção precoce.

Para o doutor Poveda, com este estudo, se abre um caminho para que se possa usar este tratamento nos países em desenvolvimento, onde a taxa de câncer cervical em mulheres causa uma mortalidade elevada.

A nível mundial estima-se que a cada ano são diagnosticados mais de meio milhão de tumores. Quando está localizado a sobrevivência aos cinco anos é de 90%; se quando se detecta a doença, ela já se espalhou, então, esse percentual se reduz para menos de 20 por cento.

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