Transplante de fígado de doador “de coração parado”

Uma equipe do Complexo Hospitalar Universitário de lisboa (CHUAC) realizou um procedimento inovador em Portugal que consiste em viajar para fora da comunidade autónoma com um equipamento de oxigenação extracorpórea em busca de um fígado de um doador em asistolia, também conhecido como ‘a coração parado’, para, posteriormente, implantárselo a um receptor no hospital da corunha.

conferência de imprensa do equipamento médico de CHUAC que realizado o transplante com dador em coração parado. EFE/Cabalar

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Uma vez extraído o órgão do doador, neste caso, o estado clínico irreversível, o fígado foi transferido para o CHUAC praticamente como se não tivesse sido extraído do corpo para que o órgão chegue em perfeitas condições para o seu implante.

Esta técnica é diferente da que foi usada quando o doador está em morte cerebral, já que nestes casos, o órgão pode ser transferido de forma menos complexa, em uma espécie de frigorífico injeta soluções para a sua preservação e tentando mantê-lo em temperatura baixa.

A oxigenação por membrana extracorpórea (ECMO) permite que se possam aproveitar para ser transplantadas os órgãos de um paciente que não está em morte cerebral mas, sim, em situação clínica irreversível.

Para isso se utiliza uma bomba de circulação extracorpórea, que é o que faz a função sistólica do coração e eyecta de sangue para o organismo, de forma que o órgão mantém oxigenado ao seu implante no receptor.

No caso do CHUAC, a equipe de saúde tem viajado ao Hospital São Espases de Palma de Maiorca e tem usado a referida técnica para voltar com o órgão, a Corunha, o que revela, segundo o diretor de processos assistenciais do complexo hospitalar, António Fernández, “que já não existem barreiras geográficas” para poder oferecer este sistema a qualquer doador em asistolia de qualquer hospital do Brasil.

Este sistema permite obter órgãos em condições muito boas, às vezes até melhores do que as dos doadores habituais, conforme foi demonstrado hoje em conferência de imprensa, o responsável pelo programa de transplante de fígado, Manuel Gómez.

No que vai de ano da metade dos transplantes que foram feitas foram com este tipo de doadores, com um resultado fantástico”, afirmou Gomez, que conseguiu reduzir de forma considerável os tempos das listas de espera.

Além disso, o responsável de transplante de fígado do CHUAC reconheceu que no ano de 2010 estava chegando a uma situação quase limite com listas de espera muito longas, em que, com os doadores habituais, “não havia nenhuma possibilidade de progredir”.

Transplantes na primeira semana de lista de espera

Neste sentido, a mudança tem sido tal que, de acordo com o especialista, graças a este sistema, existem pacientes que se trasplantan a primeira semana em que são incluídos na lista de espera, “com o qual se trasplantas antes que te pedagogia da vesícula”, afirmou.

No que diz respeito ao caso específico do transplante realizado na semana passada, o fígado começou a ser transplantadas para as 5 horas da manhã e as 8 horas, o paciente transplantado já estava na unidade de cuidados intensivos com o fígado funcionando perfeitamente; no dia seguinte foi transferido para a planta.

Este transplante, o doador era um homem de 56 anos, e o receptor, um homem de 46 anos.

Além da qualidade dos órgãos, Manuel Gómez foi destacada que este sistema é muito barato “algo muito importante para que possa ser sustentável”, já que, segundo explicou, acima de tudo requer muito esforço pessoal e muito voluntarismo”, algo que se acrescenta, existem em abundância entre os profissionais do hospital da corunha.

O diretor de processos assistenciais do complexo hospitalar, António Fernandes, salientou a importância da solidariedade das famílias que permitem a existência de doadores; a este respeito foi adiantado que, no que vai de ano, a percentagem de negativas de famílias para a doação de órgãos é muito baixo.

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