Transplante de córnea, olhar de outra maneira

O transplante de córnea é o mais antigo de todos e vai fazendo em Portugal desde a década de 1940. Há 23 bancos de olhos e 180 hospitais credenciados para este tipo de intervenções. Três especialistas e um paciente nos lembram que um novo doador é um novo milagre.

EFE/Eduardo Lopes

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Como se de uma lente se tratasse, a córnea é um tecido transparente do globo ocular, o que ajuda no olho a se concentrar e a protegê-lo de germes, poeira e outras partículas nocivas. O transplante de córnea ou queratoplastia é indicado para aquelas doenças que a desrespeitam, tornando-a opaca e causando a perda de visão.

Desde a criação da GNT, em Portugal, foram realizadas cerca de 60.000 transplantes de córnea. Deles, 3.477 no ano passado. Em 2013, no Brasil, receberam 5.062 córnea, graças à generosidade de 2.653 doadores, de acordo com dados da organização.

O primeiro transplante de córnea feita em 1940, a Clínica Barraquer de Barcelona. No Brasil, existem 180 hospitais credenciados para realizar esse tipo de transplante e 112 centros autorizados para a obtenção de córneas, distribuídos por todas as comunidades autónomas.

EFEsalud aprofunda o transplante de córnea com o doutor José Manuel Benítez del Castillo, chefe do Serviço de Oftalmologia do Hospital Clínico San Carlos de Madrid; simplesmente Anna Vilarrodona, diretora técnica do Banco de Tecidos de Barcelona, e Pilar Bailado, responsável pelo Banco de Tecidos Oculares do Hospital Gregorio Marañón de Madri; e com Felipe Azevedo, paciente que se submeteu a esta cirurgia.

Como é o antes?

Quando uma pessoa morre, se não é doador, pode-se avaliar para que o seja. No caso da córnea, avaliam-se os antecedentes médicos do falecido, já que, ao contrário de outros tecidos, pode ser que tenha tido alguma doença e isso está contraindicada que se possa realizar o transplante. “Há alguns casos de patologias que tenha tido o doador com as quais não se pode fazer a cirurgia, como o câncer no sangue”, explica a doutora Vilarrodona.

A partir daí, você pergunta para a família, se a pessoa tinha a vontade de doar ou não. “Em Portugal, em princípio, todos nós somos doadores, a menos que tenhamos expressado, em vida, que nos oponíamos”, diz a especialista do Banco de Tecidos de Barcelona. Uma vez que você tenha obtido o consentimento de doação, retira-se uma amostra de sangue para fazer uma triagem e é realizada a extração da córnea.

“Há alguma negativa na hora de doar tecidos, mas, dentro destes, é possível que esse seja o tecido que as pessoas menos se recusa a doar. Muitas vezes, a recusa é por ignorância e porque não se sabe que é um processo que é feito de forma rápida e com o máximo respeito”, afirma Vilarrodona.

Com relação a outros transplante de córnea tem mais tempo na hora de realizar a intervenção. De fato, se você colocar uma solução especial para manter as condições e as características da córnea, pode-se chegar a armazenar até um mês.

“No caso de um transplante urgente e que, em uma comunidade autónoma não tenha, pedimos o tecido a outras comunidades”, observa a doutora Bailado.

“Uma vez que a recebemos, não há que doar nesse mesmo dia, mas que nos dá tempo para selecionar o paciente adequado para o efeito, tendo em conta a urgência e a preferência”, acrescenta.

Causas por que se intervém

Se a doença que faz o transplante afeta as camadas mais superficiais do olho, se faz o que se chama um transplante lamelar anterior, que tira uma série de camadas. Em troca, se afeta as camadas mais profundas da córnea, torna-se então um transplante lamelar posterior. “Dependendo de onde está a doença, se há um tipo de transplante ou de outro, porque são técnicas cirúrgicas totalmente diferentes”, esclarece o oftalmologista do Hospital Clínico San Carlos.

Além disso, o médico apresenta as causas pelas quais se leva a cabo uma intervenção:

  • Ceratocone: a córnea, em vez de ser esférica, cônica.
  • Edema corneal: o paciente tem uma doença que faz com que a córnea esteja encharcada, deixa de ser transparente e se perde a visão.
  • Herpes: a córnea, se promove a vascularização e se enche de vasos sanguíneos.
  • Distrofias corneanas: doenças hereditárias que afetam o endotélio.

Riscos do transplante de córnea

Uma das possibilidades é que a intervenção tenha um risco de ocorrência de astigmatismo. “Se o paciente vê torto, você tem que corrigir com lentes de contacto ou óculos de proteção, mas se é mais grave, há que voltar a funcionar”, comenta José Manuel Benítez.

Como em todos os transplantes, a rejeição está presente, já que o nosso sistema imunológico tenta eliminar algo que está reconhecendo como algo estranho. “Normalmente, os transplantes de córnea têm menos nível de rejeição que os do outro tipo, mas isso vai depender da causa por que se faça o transplante”, salienta o especialista.

Recuperação do transplante de córnea

Depois de uma intervenção deste tipo, o médico lhe dá instruções ao paciente para que tenha em conta o risco de que o organismo rejeite o transplante. Os sintomas são a vermelhidão do olho, dor ou pior visão. A pessoa tem que ir muito para a consulta, durante os primeiros meses, para verificar se a ferida estiver fechado, os pontos estejam bem e acompanhar o astigmatismo.

As diretrizes são dadas para o recém-operado não são outras que manter repouso e tranquilidade, não tocar o olho, seguir o tratamento que lhe foi prescrito e dirigir-se à urgência em caso de ocorrência de sintomas de rejeição.

Quanto ao tratamento, se foi feito o transplante por ceratocone, que tem um baixo risco, normalmente a esse paciente lhe dão e anti-inflamatórios esteróides em gotas.

Em contrapartida, se o interessado tem a córnea até o fim, existe um risco altíssimo de rejeição e, além do tratamento convencional para reduzir a possível inflamação, lhe dá um tratamento de imunossupressores por via oral para baixar as defesas.

Um exemplo à vista

Felipe Azevedo se submeteu há seis anos por um transplante de córnea no Hospital Clínico San Carlos de Madrid.

Como foi o processo de recuperação?

Eu tive que ficar parado por um mês, sem ler, para não forçar o olho, sem fazer exercício físico. Tinha muito pouca atividade, ouvir música, ouvir livros lidos por um profissional e sem ir trabalhar. Os pontos, curiosamente, não me tiraram, mas que deixaram que fossem quebrando sozinhas, com o qual, de vez em quando, tinha que ir às urgências. Mas enquanto não quebrar nenhum, me esquecia do olho.

Você já recuperado a visão depois do transplante de córnea?

Praticamente sim, ainda me ajudou com óculos.

Você cumpriu suas expectativas?

Foram cumpridos. Se há sorte, e que o organismo não rejeite o transplante, a operação é toda uma delícia.

Com que frequência recorre a consulta?

Aproximadamente, duas vezes por ano.

.-Efesalud

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