Tentar tirar um doente de alzheimer é a sua realidade pode confundirle

Tentar tirar de sua realidade a um doente de alzheimer em fase avançada da doença, quando, além de deixar de ser quem era a perda de sua memória, começa a sofrer limitações na linguagem ou na conduta, pode causar muita confusão no paciente

A neurologista Maria del Carmen Pérez Viéitez, durante a conversa que se ofereceu para familiares de pacientes com demência. EFE/Elvira Urquijo A.

Segunda-feira 10.09.2018

Sexta-feira 07.09.2018

Sexta-feira 07.09.2018

Nestes estádios da doença, é mais recomendável “pessoas da corrente” de alguma forma, o que não implica “tratá-los como se fossem bobos, porque não são, mas que têm limitada sua capacidade de julgamento, e tentar trazê-los para a lembrança de uma maneira indireta”, ou seja, dando “pistas” da realidade, para que eles possam vir a ela por si mesmos.

A neurologista Maria del Carmen Pérez Viéitez foi exposto estas dicas na nova edição da sala de Aula de Pacientes do Hospital de Gran Canaria Doutor juan Negrín, desta vez dedicada aos “cuidados ao cuidador de pacientes com demências”.

Esta especialista salientou que cuidar de um doente de alzheimer “não é algo que se escolhe, mas que se tem que aprender”, daí que tenha chamado a atenção para a importante responsabilidade que se adquire na hora de atender os requerimentos de alguns pacientes que sofrem de uma doença que “nunca se sabe quando vai acabar, nem de que maneira”.

Ser uma pessoa muito tranquila, com capacidade de adaptação a cada etapa da doença, que é diferente em cada paciente, e de compreender que a patologia “progride e que não podem fazer nada por evitá-lo” são algumas das características que deve reunir um “cuidador” ideal ” de um doente de alzheimer.

Pérez Viéitez salientou que estes prestadores de cuidados de saúde tendem a se sentir culpados por não se considerar suficientemente capacitados para tratar estes pacientes e por ter que tomar decisões difíceis “, sem qualquer apoio”, daí que tenha insistido na necessidade de saber pedir ajuda e delegar funções a pessoas do ambiente do doente.

Esta neurologista do centro Médico Negrín se referiu às ajudas e apoios não farmacológicos que podem encontrar os cuidadores de pacientes com demência, tanto em armários psicológicos das associações de doentes, como para os trabalhadores sociais que lhes assistem em os centros de dia, se bem salientou o médico que leva o paciente é o que melhor pode orientar sobre a sua medicação e sobre as medidas que podem tomar no dia-a-dia.

Nestas situações, o melhor é perguntar-lhe que tal era a sua genitora e “seguir a corrente em tudo o que for essencial”, para, posteriormente, dar-lhe a notícia real, por assim dizer, ou dar-lhe pistas sobre ela, e que ele mesmo não venha com a realidade”, sem a necessidade de “trazê-lo bruscamente”.

O médico foi informado de que os prestadores de cuidados de saúde, este tipo de doentes, que tendem a ser isolados, embora contem com apoios pontuais, tendem a sofrer transtornos psicológicos como ansiedade e depressão, outros alimentos, além de insônia, esgotamento físico e sobrecarga emocional, esta última muito relacionada com distúrbios de conduta, que pode desenvolver o paciente.

Além disso, destacou que outro dos obstáculos que podem encontrar esses prestadores de cuidados de saúde, quando se trata dos filhos do doente, está relacionado com as situações em que estes se revelam quando sentem que a sua autonomia é limitada, já que começam a depender de seus descendentes. E estes lhes custa, por sua vez, aceitar que têm de tomar decisões por seus ascendentes, o que gera neles sentimentos de culpa e dúvida.

Em qualquer caso, a especialista sublinhou que nestes casos não se deve falar de doença, mas de doentes, porque não há dois iguais ou existe uma linha padrão que se possa seguir de uma maneira geral, para tratá-los.

“Cada caso é um mundo e quando se começa nunca se sabe nem como nem quando isso vai acabar”, referiu.

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