Distúrbios da conduta alimentar, silencioso sofrimento por autoexigencia

Infográfico sobre os transtornos de conduta alimentária. EFEsalud/ Rosa Gallardo

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A Fundação ABB, prevenção da anorexia, bulimia e obesidade, junto com a Fundação Cofares, têm publicado “Que você sente quando não sente nada”, um romance juvenil, escrito por Victor Panicello, que descreve as vivências de um grupo de pacientes com distúrbios da conduta alimentar.

O objetivo da iniciativa é transmitir a mensagem de que a recuperação da doença só é possível se se toma consciência do que está acontecendo e pede ajuda profissional para poder enfrentá-lo.

Treze meninas e um menino contam, com cabelos e sinais, o que há por trás dos distúrbios alimentares, além de não querer comer ou estar obcecado com sua aparência física, para chegar tanto aos rapazes como às suas famílias.

Raquel Linares, psicóloga e presidente da Fundação ABB, explica que o trabalho desta organização é conhecer as causas sociais e incidir sobre elas, além de atuar em matéria de prevenção social, educativo e no colectivo profissional.

Por outro lado, a presidente da Associação brasileira do Estudo dos Transtornos da Conduta Alimentar (AEETCA) e chefe de serviço de psiquiatria do Hospital Menino Jesus, Montserrat Graell, explica que tentam sensibilizar a sociedade sobre este problema e orientar os órgãos institucionais quanto à sua gestão.

O que são os transtornos da conduta alimentar?

São transtornos psiquiátricos que altera a sua conduta de alimentação: o medo de engordar, a rejeição dos outros, a alternância da percepção do peso real, a dependência da opinião dos outros, tudo isso combinado com fatores biológicos e de personalidade.

De acordo com o manual de diagnósticos da Associação Americana de Psiquiatria, atualmente existem 3 distúrbios de conduta:

  1. Anorexia: perda de peso, restrição de ingestão de alimentos, a obsessão pela magreza extrema e tendência hiperativa.
  2. Bulimia Nervosa: tem a necessidade de ser magra, mas tem episódios de pouco saudáveis refeições (com sensação de perda de controle) e sempre seguidas com purgas como jejuns, laxantes ou dietas muito extrictas para compensar.
  3. Transtorno do comer compulsivo: é o menos conhecido e o mais prevalente. O paciente tem episódios compulsivos com a comida, mas não há estratégia de compensação, por isso, quase todos os pacientes têm excesso de peso ou obesidade.

A doutora Graell detalha que por volta de 5% da população feminina espanhola sofre de algum tipo de distúrbio de comportamento alimentar e que, apesar de nos últimos anos se estabilizaram os números de casos, mudou bastante o perfil do afetado.

Agora se encontram mais casos em mulheres de idade madura (em torno de 40 anos) e em meninas mais jovens, abaixando o início do transtorno, em mais de um ponto, já que antes era sobre os 15 anos e agora se vê em meninas de 13 e meio.

Também foi observado que os diagnósticos em homens se fazem, antes, é por isso que a aceitação de que é uma doença que afecta os dois sexos.

Como detectá-los

Raquel Linares dá umas simples diretrizes para saber se o seu filho/a está passando por algum tipor de transtorno alimentar:

  • O comportamento em relação à comida muda de repente, e tem muitas manias”.
  • Observar que antes desfrutavam comendo e, de repente, começam a deixar comida no prato.
  • Muda de hábitos, como: não querer rebozados, hidratos de carbono ou pão.
  • De repente gosta de comidas saudáveis que antes não como, por exemplo, a verdura.
  • Quer as coisas feitas em ferro.
  • Diz frases como: “É que eu merendado muito e não tenho fome”.
  • Mostra desconforto com seu corpo, com referências como: “Vá pernas”, “o que barriga”, etc.
  • Se vemos que emagrece consideravelmente e não é por prescrição médica.

“Se tornam especialistas devido ao acesso fácil à internet, onde existem sites terríveis que se dizem todo o tipo de barbaridades para emagrecer “, comenta a psicóloga.

Além disso, recomenda evitar asdietas, porque, se a família vai a uma, as adolescentes do núcleo familiar também vão querer fazê-lo e não é um bom exemplo. Há que tentar manter os hábitos saudáveis de nossa dieta mediterrânica.

Como ajudar a quem sofre dessas doenças

A presidente da Fundação ABB afirma que a maioria das pessoas que sofre com esta doença não têm consciência de que a sofrem porque tendem a ser jovens com conflitos emocionais e problemas de comunicação.

“Normalmente são pessoas exigentes e perfectionists que, até aquele momento, haviam sido as melhores filhas/os e estudantes; e quando chegam a uma certa idade, e sentem que não são os melhores em algo, querem controlar a situação, buscando uma via, que neste caso é a comida e o peso, de uma forma muito rigorosa. Quando eles começam a emagrecer, perder a objetividade e por muito finas que estejam, não o vêem”, explica Raquel Linares.

Por isso, a doutora Linares defende que a única maneira de ajudar os doentes, é fazendo um “trabalho conjunto dos psiquiatras com os nutricionistas“. Assegura que estes distúrbios não só têm que ver com a comida, mas com “aprender a ser valorizados, para amar, para expressar o que sente e se relacionar de igual para igual com os outros”.

Montserrat Graell desenvolve a ajuda a partir de diferentes pontos de atuação:

  1. Os profissionais: em atenção primária, destaca-se a importância do diagnóstico precoce, devem ser capazes de detectar rapidamente os sintomas destas doenças. Além disso, necessitam de profissionais de saúde mental para que acompanhe a estes pacientes durante todo o processo da doença, juntamente com nutricionistas que controlam a alimentação.
  2. As escolas: os professores têm um papel importante, pois os jovens passam muito tempo nas salas de aula e devem estar capacitados para detectar e ajudá-los.
  3. As famílias: aqui se deve agir em matéria de prevenção, criando um ambiente familiar, com base em valores como, por exemplo, a confiança em si mesmo, e não dando muita importância ao físico ou ao peso. Há que educar em hábitos saudáveis de saúde e promover a comunicação doméstica, um bom hábito é comer juntos em família.
  4. Sociedade: você Tem que promover a tolerância à diversidade; não, todos temos que ter a mesma corpus.

Novo objetivo: sensibilizar a partir das farmácias

A sociedade vai às farmácias não só para comprar medicamentos, mas, sim, para informar-se antes de ir ao médico. As pessoas com distúrbios de conduta da alimentação vão regularmente às farmácias para pedir laxantes, diuréticos ou com dietas.

Por isso, a Fundação ABB e Grupo Cofares se deram conta da importacia que tem o farmacêutico e vão levar a cabo uma campanha de sensibilização a partir deste domínio.

“Podem identificar os casos daqueles jovens que continuamente lhes pedem produtos para emagrecer e vêem que pesam 40 quilos. Devem atendê-los, tentar ver o que se passa, informar sobre a doença, sobre as associações que existem e o dano que podem chegar a ter. É uma outra forma de atenção precoce“, conclui a psicóloga Raquel Linares.

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